RICARDO DANTAS

 

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Ricardo Dantas é potiguar, radicado em Roraima, biólogo, especialista em Agroambiente e mestrando em Agroecologia. Ao longo de sua vida absorveu experiências com diversos povos tradicionais do Brasil, como extrativistas de erva-mate no Paraná, agricultores familiares de projetos de assentamento no Rio Grande do Norte, seringueiros no Acre. Mas foi em Roraima, quando chegou em 2002, que vivenciou as experiências mais fantásticas. Conheceu o cotidiano de ribeirinhos e extrativistas da castanha da Amazônia nas matas frondosas de Caracaraí às margens do rio Branco, e passou três anos vivendo na Aldeia Indígena Boca da Mata, em Pacaraima, onde conheceu sua esposa, Yara Macuxi. Atualmente Ricardo Dantas é Coordenador do Núcleo de Estudos em Agroecologia do IFRR Câmpus Amajari.

 

SOBRE O SEU LIVRO “MEIA PATA”:

 

O argumento do romance “Meia Pata” consiste em um biólogo pesquisador, Daniel Silva, que no final da década de oitenta, tem como objetivo estudar a maior selva do planeta. meiapataazulAcaba indo para Roraima, e completamente sem infraestrutura, parte em sua jornada ao interior da floresta. Em sua experiência no local mais isolado e peculiar da Amazônia Legal, Daniel será submetido a todo tipo de situações, como um romance inusitado e místico com a linda indígena da etnia Macuxi, Iara Parente, e um embate por luta de território e respeito com a maior predadora da floresta, a onça-pintada. O interessante será observar os detalhes com que o autor descreve os ambientes naturais, e as transformações do comportamento humano diante da majestosa Natureza. A personagem da onça-pintada é um atrativo à parte. Toda a manifestação de comportamento deste grande felino foi fruto de muita pesquisa e debates com grandes especialistas que estudam felinos em geral, principalmente onças. A personagem indígena foi um grande desafio. Escrever sobre o comportamento de um personagem que vive em uma cultura completamente diferente, tornou-se um processo de superação. Ricardo Dantas afirma que o texto irá agradar desde profissionais e pesquisadores da área de Recursos Naturais, que irão aproveitar além do enredo do romance, a descrição do ambiente palco da obra; até mesmo o leitor que nunca esteve no interior de uma floresta, que irá fechar os olhos e sentir os elementos da vida selvagem.

 

SOBRE O MANIFESTO LITERÁRIO BIOARTE:

 

“Meia Pata” inicia um movimento literário criado pelo autor, denominado de Bioarte. A Bioarte louva os verdadeiros artistas. Os indígenas, que mesmo diante do preconceito, da dor de presenciarem suas terras sendo devastadas, seguem firme na luta pela autenticidade de seus direitos. Os extrativistas, como os seringueiros, massacrados, porém resistentes, que com sangue escorrendo das bandeiras, venceram a opressão e conquistaram uma vida digna. O sertanejo agricultor, que não desiste de rachar o solo cristalizado pela seca, e com mãos e orgulho calejado, segue em frente sem fraquejar. E por fim a Natureza, que compadecida, presencia árvores frondosas, literalmente milagres que fornecem o suporte para milhares de formas de vidas, serem ceifadas, levando para a tumba toda a rede ecológica. A Bioarte exalta a biodiversidade, a pluralidade social e principalmente as interações ecossistêmicas entre cultura e arte.

 

Dentro da linha do gênero Bioarte, Ricardo Dantas recebeu três prêmios literários. Em outubro de 2014, venceu o II Prêmio Jaider Esbell de criação literária, com o tema “Meu vizinho karaiwa”, com o conto “Um olhar distante”, que narra uma cena de conflito ocorrido entre indígenas e grileiros, inspirado no livro “Pemongon Patá: território Macuxi, rotas de conflito”, de Paulo Santilli. Em janeiro de 2016, no III Prêmio Jaider Esbell de criação literária, com o tema “Paisagem e diversidade nativa”, o conto “Upatakon”, que relata o cotidiano de uma jovem kunhatã em sua aldeia, sagrou-se em terceiro lugar. Em julho de 2016, foi premiado no Concurso Literário Aldenor Pimentel, com o segundo lugar, na categoria contos, contando a aventura de um jovem que decide ser garimpeiro, com o título de “Garimpeiro”.

 

VESTIBULAR E INFUÊNCIAS ACADÊMICAS:

 

Início de 2016, o romance “Meia Pata” foi adotado como obra de referência do vestibular da UFRR para os certames 2017 e 2018. Desde então, o autor vem ministrando palestras em escolas públicas federais e estaduais, escolas particulares e em eventos literários que ocorrem em Roraima. A importância do romance “Meia Pata” para o cenário literário de Roraima se dá pelo fato de ser uma obra do gênero regionalismo indianismo contemporâneo.

 

No primeiro semestre de 2016 da UFRR, o curso de Letras adotou o romance “Meia Pata” como obra paradidática na disciplina “Literatura em Roraima”. O romance também fez parte do projeto “Lona literária” do Pibid Letras-Literatura da UFRR, onde acadêmicos trabalharam com a obra em turmas do terceiro ano da Escola Estadual Ana Libória, como forma de preparação para o vestibular.

 

SOBRE A EDITORA KAZUÁ:

 

Em 2013 “Meia Pata” fora lançado, no entanto todo o esforço de criação da obra que iniciou em 2008 teria permanecido no fundo de uma gaveta se não fosse a Editora Kazuá ter acreditado no potencial de “Meia Pata” e arcado com todas as despesas, como a diagramação, revisão, arte da capa e principalmente a produção dos exemplares. A Editora Kazuá é um exemplo de iniciativa que preza pela arte, que incentiva o autor.

www.editorakazua.com.br

 

ONDE ADQUIRIR “MEIA PATA”:

Livraria da UFRR

Campus Paricarana

Loja Virtual da Editora Kazuá

http://www.editorakazua.net/catalogo/meia-pata-de-ricardo-dantas

 

3 Comentários

  • Neuza Marines Pereira Paiva

    Parece-me ser um livro que faz uma abordagem de um tema conflituoso ainda nos tempos atuais mas com uma certa leveza que envolve o leitor e aguça seu interesse pela temática. Sinto-me imensamente privilegiada por ter, ainda na sua adolescência, sentido o. seu dom para a arte literária. Desejo que o reconhecimento do seu talento atravesse os caminhos de Roraima e alcance todo o nosso país. A arte não tem fronteiras…! Um grande abraço!

     
  • ANA MARIA ALVES DE SOUZA

    Ao ler o livro “Meia Pata” procurei entender por que o autor quis inseri-lo em um novo gênero. Com uma linguagem acessível, nota-se que o enredo da obra não traz apenas as situações vividas pelo biólogo Daniel, mas envolve uma valorização das peculiaridades dos espaços e dos personagens, e ao mesmo tempo traz ensinamentos que trabalhamos dentro do ensino formal (escola). Isso demonstra a possibilidade de concretização da proposta do autor: a Bioarte dentro da literatura,
    Para mim, estudiosa da área literária, entendo que a criação de um movimento literário se inicia com o autor, mas a sua confirmação, de fato, depende do tipo de receptividade do apreciador, que nesse caso somos nós, leitores. Isso porque o interlocutor é quem dará o feedback esperado pelo autor de uma obra, ou seja, entender a proposta do autor é consagrar a sua obra como tal. Dessa maneira, vejo que os aspectos trabalhados em “Meia Pata” mostram quão o autor foi habilidoso em trazer algo com entretenimento bem como um rico material de ensinamento biológico, químico, matemático, físico, sociológico, entre outras áreas. Assim, o movimento Bioarte existe, pois é possível perceber o entretenimento aliado ao conhecimento das ciências e às particularidades locais. Movimentos desse tipo enriquecem a área literária, uma vez que a partir do momento que se trabalha a literatura sob outros ângulos, verificamos como é possível atingir diferentes públicos/conhecimentos por meio de uma obra ficcional.

     
  • Parabéns jovem por sua luta!

     

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