You are currently viewing SAÚDE EM PAUTA | Sesau participa de audiência pública sobre atendimentos para imigrantes em Roraima
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Nesta quinta-feira, dia 18, a sessão ordinária da Câmara Municipal de Vereadores de Boa Vista foi transformada em Audiência Pública, para tratar sobre as consequências da imigração venezuelana em Roraima.O secretário de saúde, Leocádio Vasconcelos, participou da audiência, juntamente com outros secretários estaduais, o prefeito de Pacaraima, Juliano Torquato, vereadores de Boa Vista e de Pacaraima, membros do Exército Brasileiro, por meio da Operação Acolhida, representantes de entidades civis, ONG’s e a comunidade em geral.

Para ele, o momento foi importante para avaliar as medidas adotadas até agora e discutir sobre ações futuras.

“É de fundamental importância tratar sobre esses temas e dialogar sobre o que pode ser feito de forma efetiva para garantir que as demandas trazidas pela imigração sejam atendidas em sua plenitude, mas sem deixar de lado o atendimento às outras demandas também, especialmente na área de saúde”, afirmou o secretário.

Leocádio apresentou dados sobre os registros nas duas principais unidades públicas de Roraima, onde no HMINSN (Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth) são atendidas pacientes de Roraima, de outros estados e até de outros países. Os dados mostram que 30% dos partos é de gestantes venezuelanas. Já no HGR cerca de 15% dos atendimentos da unidade é prestado para pacientes venezuelanos.

“É preciso combater os efeitos e levar em conta também as causas. Reconheço e aplaudo a Operação Acolhida pelo brilhante trabalho que tem sido feito em Roraima, mas os números mostram que a maior parte de imigrantes não está sendo alcançada e hoje nos preocupa muito problemas como a falta de imunização da população venezuelana. E são situações que precisamos resolver para evitar problemas maiores na saúde no futuro”, ressaltou.

O representante da Operação Acolhida, Coronel Jamilson Campos Teixeira, Chefe Maior da Força-Tarefa Logística Humanitária, ressaltou que cerca de 126 agências atuam em parceria com a Operação no trabalho realizado em Roraima, que tem como foco a interiorização de imigrantes.

“Em Roraima temos atualmente 13 abrigos instalados, entre nove não indígenas e quatro indígenas, temos feito o acolhimento, ordenamento e a interiorização que é o foco maior do trabalho, mas é preciso reforçar que essa luta não deve apenas da Operação Acolhida, mas sim de todos os envolvidos, gestores municipais, estaduais e federais”, ressaltou.

O vereador Gabriel Mota, que teve a iniciativa de realizar a audiência pública, falou da importância da participação do secretário da Sesau e das demais autoridades para discutir o tema.

“Quero agradecer a participação do secretário de saúde, hoje, aqui conosco, para discutir sobre esse tema tão importante que é a imigração venezuelana. E precisamos debater juntos para identificar que medidas poderão ser colocadas em prática para que possamos saber melhor como lidar com as consequências que a imigração tem causado e quais medidas são importantes para o futuro”, esclareceu.

De acordo com Ricardo Matos, presidente do Conselho das Cidades, o atendimento deve ser feito aos imigrantes, porém é preciso planejamento correto para garantir que a assistência em áreas importantes como social, educação, saúde e segurança possa continuar sendo feita.

“A constituição estabelece que o atendimento precisa ser feito para todos sem distinção, porém é preciso um estudo de impacto de vizinhança para que seja mantida a segurança em locais onde hoje existe um problema social. Não se trata de ferir a lei e nem de xenofobia, mas é preciso discutir medidas para evitar transtornos maiores”, disse.

Para o secretário Luciano Castro, que representou o governador Antonio Denarium, é preciso debater o assunto de forma mais eficaz para evitar uma crise maior no futuro.

“Quero falar da minha satisfação de estar aqui tratando desse problema tão complexo. E representando o governo hoje aqui, quero dizer que a Operação Acolhida tem realizado um papel importante pela atuação na área humanitária e também de segurança nacional que no início da imigração trouxe uma solução imediata, mas é preciso avaliar e tratar a questão de forma permanente com medidas a serem adotadas a longo prazo, ou seja, precisamos achar uma solução para esse problema. Nesse sentido, vou levar para o governador a sugestão de criação de um novo plano estratégico para tratar desse assunto de forma conjunta com os principais atores envolvidos nessa questão”, finalizou.

Texto: Lidiane Oliveira
Foto: Melki Gaia

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